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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

A verdade sobre o Zeitgeist V – 4 coisas mal explicadas


Depois de ter publicado um post chamado
A verdade sobre Hórus
recebi alguns e-mails e comentários questionando sobre fontes e referências. Publiquei depois uma seqüência de artigos:

· A verdade sobre o Zeitgeist II – sobre a origem da religião
·A verdade sobre o Zeitgeist III – Os povos cristãos não são piores que os outros
·A verdade sobre o Zeitgeist IV – Delimitando os termos de pesquisa
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Todos com fontes e referências para consulta. Hoje falaremos sobre quatro fatores mal explicados no documentário Zeitgeist. Comecemos então comentando sobre:

Estrelas


· Este é o Sol. Desde o ano 10 mil aC., A história abunda em pinturas e escritos que refletem o respeito e adoração dos povos pelo astro. E é simples entender o porquê, com o seu aparecimento todas as manhãs trazendo a visão, calor, segurança, salvando-nos do frio e do breu da noite, repleta de predadores. Sem ele, todas as culturas perceberam que não haveria colheitas nem vida no planeta. Estas realidades fizeram do Sol o astro mais adorado de todos. Todavia, os povos estavam também muito atentos às estrelas. As estrelas formavam padrões que lhes permitiram reconhecer e antecipar eventos que ocorrem de tempos em tempos, tais como eclipses e Luas cheias. Catalogaram grupos celestiais naquilo que conhecemos hoje como constelações.


O documentário Zeitgeist fala sobre como as civilizações antigas catalogavam os grupos de estrelas celestes, embora isso seja verdade para algumas civilizações, outras, como os incas, na verdade categorizavam os pontos escuros, e não as estrelas propriamente ditas.


Zodíaco


· Esta é a cruz do Zodíaco, uma das mais antigas imagens conceituais na história humana. Representa o trajeto do Sol através das 12 maiores constelações no decorrer de um ano. Também representa os 12 meses do ano, as 4 estações e os solstícios e equinócios. O termo Zodíaco está relacionado ao fato de que as constelações serem antropomorfismos, ou personificadas, como pessoas ou animais.


O documentário dá a entender que as casas zodiacais sempre foram exatamente as mesmas que temos hoje, com os mesmos simbolismos e na mesma quantidade
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Embora as origens exatas do zodíaco sejam desconhecidas, os mais antigos zodíacos que temos registro não têm exatamente 12 signos, portanto, conclusões a este respeito não são confiáveis. Por exemplo, o zodíaco babilônico era originalmente composto de 18 signos e o Zodíaco Maia consistia em 20 signos. Enquanto os zodíacos egípcios e gregos continham – realmente - 12 sinais, é importante mencionar que os 12 signos não são uma verdade inegável que pode ser facilmente reconhecida por todas as civilizações. Na verdade, existem 13 constelações por onde o Sol passa, a que falta é Ophiuchus, que não é contada pelos modernos astrólogos.



Divindade solar


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· Em outras palavras, as primeiras civilizações não só seguir o Sol e as estrelas, como também as personificavam através dos mitos que envolviam os seus movimentos e relações. O Sol, com seu poder criador e salvador também foi personificado à semelhança de um deus todo poderoso.Conhecido como "filho de Deus," a luz do mundo, o salvador da humanidade. Igualmente, as 12 constelações representam estações de estadia para o “filho de Deus” e foram nomeados e normalmente representados por elementos da natureza que aconteciam nesse período de tempo. Por exemplo, Aquarius, o portador da água, que traz as chuvas da Primavera. 


O Sol não era o deus criador em todas as culturas, mas apenas algumas. A maior parte das culturas antigas acreditava que a terra teria sido criada – junto com o Sol e a Lua – por um deus diferente, (cheque a maior parte das culturas antigas, inclusive a egípcia).
E outra coisa ainda faz sentido aqui, se o próprio Sol é Deus e criador, porque é que eles se referem a ele como "Deus Sol", o que implica que o sol não é o Deus? Além disso, o termo God son = Filho de Deus e God Sun = deus sol só são semelhantes em inglês, mas a Bíblia não foi escrita em inglês.

 

Hórus


· Este é Hórus. Ele é o Deus Sol do Egito por volta de 3000 aC. Ele é o Sol, antropomorfizado, e a sua vida é uma série de mitos alegóricos que envolvem o movimento do Sol no céu. Dos antigos hieróglifos no Egito, nós sabemos muito sobre este Messias solar. Por exemplo, Hórus, sendo o Sol ou a luz, tinha como inimigo “Set” e Set era a personificação das trevas ou noite. E, metaforicamente falando, todas as manhãs Hórus ganhava a batalha contra Set – quando ao fim da tarde, Set conquistava Hórus e enviava para o mundo das trevas.Será importante frisar que "dark vs light" ou "bem contra o mal" tem sido uma dualidade mitológica onipresente e que ainda hoje é utilizada a muitos níveis.


Nessa época (em que o documentário descreve o mito), ele era o deus do céu, e Rá era o deus do Sol. Eventualmente, a Lua e o Sol foram considerados os olhos. Nesse ponto, ele era conhecido como Heru-khuti, algum tempo depois a cultura egípcia acabou misturando as duas divindades, ele foi combinado com o deus Rá como "Re-Horakhty”.
Embora tenha havido uma batalha entre Set e Hórus, que, segundo o Zeitgeist acontecia todas as noites. Na verdade, a batalha realmente só aconteceu uma vez, e teve mais a ver com os testículos e o sêmen que deram origem à noite e ao dia.
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A deusa do céu era chamada Nut (ou Nuit), seu nome também significa "noite". Ao anoitecer, ela iria engolir Rá, seu filho, e ele iria ficar no útero até de manhã quando ia renascer. Ela usava um vestido azul que estava coberto de estrelas. Set era o deus do deserto, principalmente porque Hórus decepou um de seus testículos e ele se tornou infértil como o deserto. Nesta época, set não foi considerado mal, ao menos até por volta de 100 dC quando os romanos no Egito o definiram como uma figura demoníaca.

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Horus não nasceu em 25 de dezembro, ele nasceu no dia 5 do "Dia Epagomenal", que nem mesmo acontece em dezembro no calendário moderno ou antigo, mas entre 28 e 24 de agosto. Sua mãe também não era virgem. O pai de Hórus era Osíris, que foi morto por seu irmão Seth. Isis usou um feitiço para trazer de volta à vida por um curto período de tempo para que eles pudessem ter relações sexuais, e assim concebeu Hórus.

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Em toda lenda de Hórus só existe uma menção à sua morte e ela se dá na infância, picado por um escorpião. Isis desenvolve uma prece que faz com que Tot descesse do céu e lhe ensinasse um encantamento para trazer Hórus de volta. Depois disso Hórus não voltou a morrer, não foi crucificado, não ressuscitou após três dias.
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Em nossa próxima conversa falaremos sobre o deus Attis e suas supostas similaridades com os messias solares (como se isso realmente existisse).

Referências:

HOUSTON, Jean; A paixão de Isis e Osíris – a união de duas almas – São Paulo; Mandarim 1997 – Tradução: SILVA, Mauro de Campos.

A verdade sobre o Zeitgeist IV – Delimitando os termos de pesquisa



O filme Zeitgeist foi lançado recentemente (início de 2008) e se espalhou pela Internet de forma viral. Durante muito tempo, em qualquer fórum pela internet a dentro o Zeitgeist era o principal assunto. Todos falavam sobre as “verdades” contidas no filme e de como o “documentário” servia para abrir seus olhos. Quase sempre, os fãs do movimento afirmavam ter chegado a todas essas conclusões por investigação própria. O que realmente impressiona é que você não encontrava um único engenheiro, cientista, historiador, arqueologista ou qualquer outro profissional renomado dando aval a história.



Quando decidi sentar e assistir ao filme, sinceramente fiquei impressionado, tomei tudo aquilo como a confirmação da minha descrença, no entanto, quando fui estudar (por conta própria) o assunto percebi que os fatos não batiam e que o documentário não dava nenhuma referência bibliográfica relevante.

Inclusive algumas informações já haviam sido refutadas há muito tempo por N pessoas. O problema maior é que buscando no Google por mais informações percebi que ninguém havia feito um guia completo de discussão sobre o assunto, ao menos não em português. Peço ao amigo leitor que acompanhe as postagens colaborando com comentários que acrescente qualquer tipo de informação. Não precisa concordar comigo, mas ao menos seria bom se fossem mostradas referências bibliográficas que respaldassem seus argumentos. 

O filme raramente cita fontes, e quando isso acontece, não fornece os números de página, datas e outras informações. As informações que normalmente confirmam o filme são retiradas do site do Zeitgeist movimento ou de algum outro que tenha ligação direta ou indireta com ele. 

Nos post’s que se seguem serão dadas todas as referências online ou físicas para que cada um possa conferir por si só. Se a informação apresentada aqui estiver num livro, eu farei o máximo para encontrar uma versão online do livro, e se não for possível eu colocarei aqui um link para algum site onde o livro possa ser comprado. Tentarei usar o maior número de fontes online que seja possível. 

Pergunta aos teóricos da conspiração

Não me engano, e nem pretendo, as informações aqui apresentadas serão consideradas controversas para muitos daqueles (crentes fiéis) que vêem o Zeitgeist como a verdade absoluta. Dito isto, não se surpreendam com os comentários que poderão aparecer aqui. Acho engraçado que o maior argumento desse pessoal é o de que "você não deve acreditar em tudo que lê na Internet" (irônico, não é?) E/ou que "é preciso estar de mente aberta". 

Note que estas não são respostas aos céticos são apenas formas de fugir a um confronto mais sério. É claro que se algum desses apóstolos do Zeitgeist discordar de alguma informação encontrada aqui eles descartarão o blog como um todo.

Uma das maiores contestações que eu recebo é que o filme "não é para ser uma verdade, é só para abrir sua mente para outras possibilidades." O problema com esta lógica é que há melhores maneiras de mostrar alternativas, visualizar pontos com pessoas que não estejam descaradamente mentindo. As maiorias das pessoas que gostam deste filme não acreditam nesses argumentos sobre abrir a mente ou algo parecido. Desta forma, eu pergunto àqueles que dizem que as informações aqui no meu blog não são verdadeiras: o que garante a vocês que eu também não estou tentando abrir a mente das pessoas? Porque eu sou o mentiroso? Será que é porque eu não faço afirmações absurdas e impossíveis sobre o mundo e acredito que você seja um idiota?

Se for este o caso, todos os mentirosos, estão apenas tentando abrir sua mente. 

Algumas pessoas dizem que se eu não posso provar que não é verdade, então deve ser verdade. Perdão, mas não é assim que a ciência funciona.



Breve comentário sobre as partes

Parte I é talvez a mais acreditada de todas as partes. Acho fascinante a forma como as pessoas crêem em qualquer argumento que vincule astrologia e teologia.

Acharya S
Pior que isso é o guia complementar escrito pela Acharya S, que são a base “documental do filme.  As mesmas alegações que o “documentário”, mas elas são ainda mais ultrajantes e infundadas. Argumentam até que certas informações estão no Livro dos Mortos, mas é só conferir a documentação existente sobre o Livro dos Mortos para ver que é uma mentira completa. Ela faz comparações ridículas e impossíveis entre a vida de Hórus e Jesus, desafiam não só a cronologia histórica, mas também a linguagem. Os cristãos não são os únicos ofendidos pela Parte I, como um ser humano, me sinto ofendido. Será que eles pensam que sou tão estúpido a ponto de acreditar em qualquer das alegações sem checar os fatos?

Parte II é a mesma coisa que foi desmascarada por centenas de outras pessoas, e é essencialmente uma cópia de filmes como "Loose Change. Não tem nenhuma conexão com Parte I de modo que o prosseguimento é só pra sugerir que os EUA como país protestante se torna pior do que os outros exatamente por ser religioso (como se em algum momento da história humana tivesse existido uma sociedade verdadeiramente laica). 

Parte III é o segundo mais acreditável das três partes. Tudo neste trecho está fora de contexto, uma mentira, retirados de argumentos anti-semitas que continuam fazendo as mesmas reivindicações de anos. Houve um filme da década de 1980 sobre como a ONU vai dominar o mundo, e fez quase todos as mesmas alegações. Porque não vejo como isso possa ser verdade? 

No geral não há absolutamente nenhuma conexão entre Parte I e qualquer outra parte do filme, parte II é uma mentira completa, pois 11/09 foi uma forma de sair pela tangente, e na Parte III são as mesmas coisas que foram ditas ao longo de décadas, basta substituir "Juros bancários" com "os judeus" ,"Illuminati", "Aliens ", e muitos outros, e você irá criar automaticamente os scripts para outros filmes semelhantes. 

Mas, você não precisa acreditar em mim, eu não sou o único fazendo afirmações ultrajantes que a religião serve apenas para controlar você, e que ele está conectado com 9 / 11, que por sua vez, com o fato de que o Federal Reserve irá lhe dar um microchip ... sem evidência nenhuma.



Leia também:


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A verdade sobre o Zeitgeist III – Os povos cristãos não são piores que os outros


  


Abrindo o espaço para o retorno da discussão a respeito do “documentário” Zeitgeist – iniciamos aqui uma série de post sobre o assunto. Sendo que até agora publicamos:

·         A verdade sobre Hórus ;
·         A verdade sobre o Zeitgeist I  – Ceticismo não é isso.
·         A verdade sobre o Zeitgeist II  – sobre a origem da religião.

 


No início do documentário Zeitgeist são apresentadas imagens de guerras e destruição, corpos sendo acumulados em valas (provavelmente provenientes do nazismo), segue com imagens das galáxias, do planeta Terra, dos oceanos, emenda com uma animação sobre o surgimento e evolução da vida em nosso planeta e esse primeiro ciclo se completa com a bandeira dos EUA sendo colocada em cima Bíblia. As imagens voltam para o atentado ao World Trade Center e imagens de mísseis sendo disparados.

Quem já viu o documentário sabe que esse início tem a finalidade de sugerir que o atentado de 11 de setembro foi obra dos estadunidenses e que essa mentalidade é fruto do cristianismo.

Todos nós em determinado momento já fizemos crítica à política norte americana e já condenamos (com relativa razão) determinadas atitudes. Condenamos a pena de morte, condenamos o xenofobismo, condenamos o poderio bélico, mas fica aqui uma pergunta: qual país não possui problemas de ordem política, ideológica ou social?

 


Falamos sempre dos americanos, talvez, por serem eles os de melhor desenvolvimento bélico e econômico, por serem o império da vez.
Recentemente ouvi de um colega a reclamação de que falamos mal do apedrejamento de supostas adulteras no oriente médio, mas nos esquecemos que nos EUA existe a pena de morte.
Na verdade não nos esquecemos de nada disso, o fato é que somos bombardeados todo tempo por informações antiamericanas e criamos uma mentalidade não só de repreensão, mas de total asco a tudo que se refere à política do Tio Sam.

 


Vejamos isso com mais calma:

·         O apedrejamento no oriente médio é feito – na maioria das vezes – por julgamentos forjados, sem provas reconhecidas por um júri internacional, sem direito à apelação e por “crimes” que dentro da cultura de outros países (estou falando aqui de países cristãos) não passariam de uma indiscrição social.
·         A pena de morte nos Estados Unidos da América – por mais que não concordemos (e entre esses incluo eu)— é voltada só para os crimes chamados hediondos, o resultado não é dado até que a defesa extinga seus recursos de apelação e o crime é reconhecido em qualquer corte internacional. Tudo é feito de forma a minimizar as possibilidades de erro – se bem que a pena de morte na minha concepção já é um erro.


 


Direitos e deveres

Enquanto nos países não cristão ainda existem sistemas de castas, não existem os direitos das mulheres, homossexuais são condenados à morte por causa da sua conduta, a diferença religiosa é penalizada como crime, por sua vez nos países cristãos – incluído aí os EUA – um padre pode ser preso por discriminar um pederasta, o casamento gay já começa a ser aceito, as mulheres conquistaram um grande espaço e a traição conjugal não é penalizada com a morte.
Não estou dizendo que nos países cristãos tudo isso seja perfeito, longe disso, o cristianismo cometeu inúmeros erros ao longo de sua história, mas desenvolveu um espaço para a disputa dialética e esse diálogo fomentou a idéia de direitos humanos que temos hoje.

 


É claro que as mulheres ainda têm muito espaço a conquistar, é óbvio que a liberdade ao casamento gay só agora ensaia a possibilidade de ser discutida e o salário de um trabalhador ainda não é o que deveria ser, no entanto, compare essas mesmas condições com países não cristãos como: Índia, Irã, Iraque, China ou qualquer outro.
Problemas relativos às guerras, direitos humanos, preconceitos, machismo, xenofobismo não estão diretamente relacionadas com o cristianismo ou mesmo com a política norte-americana, estão, na verdade, relacionadas com os medos e preceitos humanos e só a instrução pode amenizar o impacto de tais instintos.
Nossa cultura, nossa concepção de mundo é acumulada e continuamente aperfeiçoada geração após geração. Cuspir em mais de dois mil anos de desenvolvimento é ignorar tudo o que conquistamos e apelar para voltarmos à verdadeira idade das trevas.

 


Os países cristãos possuem defeitos? Sim. Os EUA cometeram muitos erros? Sim. Mas digam-me que país nunca errou em sua política interna ou externa, me digam em que país os direitos humanos são mais respeitados – apesar de todos os erros cometidos – do que os Estados Unidos da América?
Digam-me em que Osama Bin Laden é melhor que o Bush?
Acusar a sociedade norte-americana com os mesmos clichês de sempre não demonstra maturidade intelectual, demonstra nossa incapacidade de questionar estereótipos que nos são oferecidos desde a infância. Demonstra a eficiência do nosso condicionamento 

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A verdade sobre o Zeitgeist II – sobre a origem da religião





Abrindo o espaço para o retorno da discussão a respeito do “documentário” Zeitgeist – iniciamos aqui uma série de post sobre o assunto. Sendo que até agora publicamos:

·         A verdade sobre Hórus;
·        


Hoje falaremos de um assunto que é a Base de tudo o que estamos discutindo aqui até o momento, a religião.

A palavra religião, segundo o Aurélio, quer dizer:

1. Crença na existência de uma força ou forças sobrenaturais, considerada(s) como criadora(s) do Universo, e que como tal deve(m) ser adorada(s) e obedecida(s).


2A manifestação de tal crença por meio de doutrina e ritual próprios, que envolvem, em geral, preceitos éticos.

O fato é que a palavra vem do latim, religione, e significa religar. Dá a idéia de que em algum momento a humanidade perdeu o contato com o sagrado e necessita de ritos, símbolos e dogmas para retomar essa comunicação. Não vou entrar aqui no mérito da validade desse processo de re-ligação, mesmo porque, todos sabem qual é a minha postura quanto ao assunto. No entanto, vamos falar dos valores sociais que ela implica.

Não existe registro da existência de alguma civilização laica, ou seja, todas as civilizações que temos hoje, mesmo as mais remotamente no passado, mesmo aquelas que não sabemos quase nada, temos certeza que existia ao menos algum tipo de religião.

Das origens


Não sabemos ao certo quando a religião apareceu para a humanidade, podemos apenas supor. O que é certo é que ela foi o pilar de sustento e formação dos primeiros processos civilizatórios.


Entre as teses defendidas, uma das mais aceitas é a proposta por Freud em Totem e tabu e retomada em Moisés e o monoteísmo. Vejamos, segundo Freud, “Em épocas primevas o homem primitivo vivia em pequenas hordas” e cada horda (ou clã) era dominado pelo macho mais forte que possuía o domínio das fêmeas e expulsava os machos em idade de acasalamento das proximidades do seu território. Freud ressalta que provavelmente, nesse período, os seres “humanos” não tivessem ainda desenvolvido muito a capacidade de fala e que os fatos aqui propostos não aconteceram com uma única geração, mas com inúmeras delas, uma após outra.

Como o macho mais forte possuía o domínio sexual sobre todas as fêmeas do clã, ele era o pai de praticamente toda a horda. As fêmeas eram incorporadas ao grupo enquanto os machos eram expulsos na medida em que atingiam a maturidade sexual e começassem a concorrer com o pai pela posse das fêmeas.

A solução para os machos expulsos era reunirem-se em pequenas comunidades para poder conseguir fêmeas através do rapto. Quando algum deles obtinha sucesso, tornava-se o macho alfa e começava o processo todo de novo.


O parricídio

Freud sugere que o primeiro passo para a modificação de tudo isso foi a união dos irmãos contra o pai, que em grupo o atacaram e o devoraram cru. Freud continua, dizendo que após o parricídio muito tempo passou enquanto os irmãos disputavam a herança do pai. O sentimento de culpa, o medo que o mesmo acontecesse a eles e as incontroláveis forças da natureza fizeram aparecer o primeiro contrato social.

Trovões, tempestades e erupções vulcânicas, bem poderiam simbolizar o espírito vingativo do pai. Foi necessário introduzir uma metodologia de renúncia aos instintos mais primitivos ou, como diria Freud, “um reconhecimento das obrigações mútuas, a introdução de instituições definidas, pronunciadas invioláveis (sagradas), o que equivale dizer, os primórdios da moralidade e da justiça”.


Os indivíduos desistiram de ocupar a posição do pai, de possuir a mãe e as irmãs. E esse seria o nascimento do tabu do incesto e a obrigação do casamento entre pessoas de clãs diferentes e não mais da mesma família.

E a verdade

Apesar de muito bem elaborada essa tese de Freud foi retirada do seu processo imaginativo, não existe nenhuma prova de sua veracidade, mas ela serve para nos dá uma idéia do que teria sido o início de nossa civilização.

 Por mais que fosse cômodo argumentar como se essa teoria fosse verdade, é sabido e notório de que tudo isso não passa de um simples simulacro.

A certeza dos céticos consiste única e exclusivamente em saber que não têm certeza de nada. O roqueiro baiano, Raul Seixas, costumava dizer: “que o mel é doce, é coisa de que me nego a afirmar, mas que parece doce, eu afirmo plenamente”, ou como diria Sócrates, “só sei que nada sei”.
E você amigo leitor, o que tem a dizer sobre isso? Deixe sua opinião, sua teoria, sua crítica.



Bibliografia:

FREUD, Sigmund. Edição Standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud – Volume XXII (1937-1939). Moisés e o monoteísmo. Esboço de psicanálise e outros trabalhos.
RENÉ, Girard. O bode expiatório – São Paulo: Paulus, 2004 – (Estudos antropológicos)

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