Um antigo provérbio japonês diz que quando com tristeza descobrir que de nada sabe, terá feito seu primeiro aprendizado. Mas, não quero falar de cultura popular japonesa – ao menos não hoje – e sim do enredo da minha vida. Cada um de nós é protagonista de sua própria história, perceba o leitor que desse ponto de vista o mundo acaba (para nós) se nossa vida se esvai.
Mas, o que quero dizer, amigo leitor, é que Aristóteles desenvolveu um conceito de tipologias possíveis para o desenvolvimento de narrativas ficcionais. Essas mesmas tipologias são aplicadas para classificar a vida real. O canadense Northrop Frye, um dos maiores intérpretes de Aristóteles no mundo é quem dá uma catalogação sistemática para esses conceitos.
Para ele, o mais alto nível de narrativa é o mito. É no mito que se descreve as histórias das deidades, para quem os problemas já estão resolvidos antes mesmo de surgir: ressuscitar após três dias, alcançar o nirvana, realizar os doze trabalhos, enfim, a narrativa da vida de deuses ou semi-deuses, independente de se acreditar ou não nessas histórias.
Abaixo deste está a lenda. Esta refere-se à história do indivíduo que não é um deus ou um semi-deus, mas que é de alguma forma ajudado por um ser divino: Arjuna que na guerra foi ensinado por Krishna, Jonas que foi vomitado pela baleia.
O terceiro nível, logo abaixo das lendas é o da narrativa imitativa elevada, no qual o herói da história não é um deus ou semi-deus e não é ajudado por nenhuma divindade ou anjo ou alguém similar, e que não tem garantias de resolver seus problemas, mas suas chances são muito grandes em função de algum atributo superior que possua: pode ser muito inteligente, muito forte, muito rico, muito bonito. O diferencial é que neste nível, mesmo que não se resolva o problema o herói não sai diminuído.
Num nível inferior encontramos a narrativa imitativa baixa, aquela em que o herói da trama não possui nenhuma característica superior, e tenta resolver os problemas com suas capacidades normais de pessoa normal. Podendo algumas vezes obter sucesso e em outras não.
E por último temos a narrativa irônica, onde o indivíduo não possui capacidade ao menos de entender a dimensão do seu problema, ou seja, ele está muito abaixo. Talvez por ser pouco inteligente, possuir pouco dinheiro, ser fraco demais, feio demais. O fato é que essa criatura está fadada ao fracasso. Seus esforços jamais terão a capacidade de arranhar o problema que o destrói. É nesta classificação que me enxergo, por maiores que sejam meus esforços eles sempre parecem ser insuficientes.
E você amigo leitor? Onde você se enquadra?









